José Resende

biografia

sem título
couro, parafina e tecido
203 x 151 x 31 cm

Década de 80

José de Moura Resende Filho (São Paulo, São Paulo, 1945). Escultor. Cursa gravura na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em 1963. No mesmo ano, ingressa na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie. Começa a estudar desenho com Wesley Duke Lee (1931-2010). Em 1964, faz estágio no escritório do arquiteto Paulo Mendes da Rocha (1928). Em 1966, funda, com Wesley Duke Lee, Nelson Leirner (1932), Geraldo de Barros (1923-1998), Frederico Nasser (1945) e Carlos Fajardo (1941) o Grupo Rex. Forma-se em arquitetura e é um dos fundadores da Escola Brasil:, juntamente com Luiz Paulo Baravelli (1942), Frederico Nasser e Carlos Fajardo. Na década de 1970, é professor do Instituto de Artes e Decoração da Faculdade de Comunicação e Arte da Universidade Mackenzie, e do Departamento de Escultura da Faculdade de Artes Plásticas da Faap. Em 1975, é co-editor da revista Malasartes, na qual publica artigos. Entre 1976 e 1986, é professor titular de Linguagem Arquitetônica e chefe de departamento na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Entre 1984 e 1985, reside em Nova York como bolsista da Fundação John Simon Guggenheim. Em seus trabalhos, explora as potencialidades expressivas dos materiais empregados, revelando o diálogo com a arte povera e com o pós-minimalismo norte-americano. Trabalha com uma diversidade de materiais como pedras, tubos de cobre, lâminas de chumbo, cabos de aço, chapas e ampolas de vidro. Emprega ainda líquidos como o mercúrio, água e tinta sépia. Em obras mais recentes, usa também o couro e a parafina.

No começo da década de 1960, José Resende estuda desenho com Wesley Duke Lee e faz curso de gravura na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), São Paulo. Em 1967, forma-se em arquitetura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Nessa época, trabalha como estagiário no escritório do arquiteto Paulo Mendes da Rocha. Com Nelson Leirner, Wesley Duke Lee, Geraldo de Barros, Carlos Fajardo e Frederico Nasser, cria o Grupo Rex em 1966. Em 1970, José Resende participa da fundação do Centro de Experimentação Artística Escola Brasil:, que valoriza métodos distintos do ensino tradicional em artes visuais. Passa a lecionar em várias instituições de São Paulo, entre elas a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). De 1979 a 1981, faz curso de pós-graduação no Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH/USP).

Na década de 1960, sua obra, como aponta a estudiosa Daisy Peccinini, apresenta evocações de uma atmosfera “mágica”, advindas provavelmente do estudo com Wesley Duke Lee, como ocorre em Homenagem ao Horizonte Longínquo (1967). Nas obras Retrato de Meu Pai (1965), Liaisons Dangereuses (Ligações Perigosas, 1966) e Núpcias no Tapete Mágico (1967), nota-se o caráter de fantasia evocativa eivado de tom irônico de origem pop.

Mais tarde seus trabalhos adquirem uma característica mais literal, tirando proveito das potencialidades expressivas dos materiais empregados, em consonância com preocupações da arte povera e do pós-minimalismo norte-americano. Entende-se assim a diversidade de materiais escolhidos pelo artista: tubos de cobre, lâminas de chumbo, cabos de aço, chapas e ampolas de vidro. Emprega com freqüência os mais diversos líquidos: mercúrio, água e tinta sépia. Em obras posteriores usa também o couro e a parafina. O artista valoriza muito a escolha dos materiais, que têm em si um caráter expressivo. O uso da parafina, por exemplo, por ser um material que se solidifica facilmente, permite ao espectador a observação do gesto do escultor e a cristalização dessa ação, na forma final. Em algumas esculturas da década de 1990, utiliza calotas metálicas como módulos para várias articulações.

Em síntese, a produção mais característica do artista procura dar relevância aos elementos empregados e às suas relações com o espaço, em lugar de apenas utilizá-los como suporte para formas convencionais. Explora a realidade espacial criando esculturas que incorporam ou dialogam com os espaços vazios. Seus trabalhos distinguem-se pelas articulações plásticas tensas: torções, curvas e nós, que sugerem equilíbrio precário, sensação de movimento ou deslocamento.

Fonte: Itaú Cultural