Lucia Laguna

biografia

Série entre a linha vermelha e a linha amarela
óleo s/ tela
132 x 158 cm

2003

Lucia Gambaro Laguna (Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, 1941). Artista plástica e professora de Língua Portuguesa. Forma-se em Letras em São João Del Rei, Minas Gerais, em 1971, e trabalha como professora de português e literatura até 1993. Ao se aposentar, em 1994, inicia cursos teóricos e práticos de artes plásticas na Escola de Artes Visuais do Parque Laje, no Rio de Janeiro. Entre seus professores, está o pintor Charles Watson (1951), que realiza viagens a museus de várias partes do mundo com os alunos no projeto Dynamic Encounters. Neste projeto, Laguna conhece artistas plásticos que se tornam referência para seu trabalho, como o pintor italiano Giorgio Morandi (1890-1964). Realiza a primeira exposição individual na Galeria Centro Cultural Cândido Mendes, Rio de Janeiro, em 1998 e passa a exibir seus quadros em exposições coletivas. Chama a atenção de críticos de arte como Paulo Herkenhoff (1949) e da marchande Laura Marsiaj, que exibe os quadros de Laguna em sua galeria a partir de 2004. No ano de 2006, recebe o prêmio CNI Sesi Marcantonio Vilaça. Participa de diversas exposições coletivas, como o 32o Panorama da Arte Brasileira (2011) no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). Em 2012, sua obra é exibida na 30ª Bienal de São Paulo. Vive no Rio de Janeiro, onde mantém seu ateliê.

O ponto de partida para o trabalho de Lucia Laguna são as paisagens urbanas. Moradora do bairro São Francisco Xavier, no Rio de Janeiro, a pintora vê, do seu ateliê, um cenário que mescla casas, telhados e barracos. Com base no enquadramento proporcionado pela janela, pinta a mistura de cores e formas que vê no bairro não planejado, no qual arquiteturas e classes sociais diversas convivem. Em uma de suas séries, Entre a Linha Vermelha e a Linha Amarela (2001), Laguna inspira-se na paisagem que há entre duas vias expressas da cidade. A diversidade do entorno do ateliê é constante em seu trabalho: há formas geométricas incompletas, como um quadrado sem um dos lados, e linhas retas que se sobrepõem e se encontram com manchas coloridas e disformes. Ao começar um quadro, Laguna não pinta sobre a tela em branco: parte de pinturas feitas por seus assistentes, que também registram a vista do ateliê. Cobre pedaços do quadro com fita crepe e usa tinta a óleo para fazer uma segunda camada de pintura sobre a inicial. Por fim, arranca a fita e obtém intervalos e traços marcantes como resultado desse movimento brusco, além da junção de elementos de duas pinturas diferentes. Esses elementos convivem no mesmo espaço de maneira pouco harmoniosa, uma vez que se invadem e se atropelam. Assim como eles, suas obras revelam uma beleza desordenada traduzindo o mundo que a pintora enxerga de seu ateliê.

Fonte: Itaú Cultural