Alexandre Orion | Lampoonist | 25 de Abril

PARA QUE FIQUE CLARO | Helio Zanepe

Nos espaços públicos, é constante o convívio entre a arte urbana e as culturas de massa, incluindo a sinalização das ruas, as logomarcas e a publicidade em suas mais variadas formas. É também frequente reconhecermos ícones da cultura de massa na obra de artistas cuja produção teve início nas ruas. Tais artistas se apropriam dessas linguagens para construir discursos anticonsumo ou discutir questões urbanas que vão da arquitetura à degradação humana nas grandes metrópoles.

Alexandre Orion transcende o estabelecido com engenhosa simplicidade criativa e impecável rigor na execução de suas obras.
Neste projeto, ao mesclar a técnica publicitária à estética do graffiti, o artista dilui as fronteiras entre as linguagens e traz ambas para um único foco de discussão. Não se trata de apropriação, mas sim, de diluição, de justaposição para a criação de um novo repertório.

Em sua pesquisa formal, o artista mistura as regras de diferentes universos para criar um jogo crítico em que tanto a macropolítica das artes e da cultura de massa como a micropolítica do graffiti estão em cheque, desfazem-se para se tornar algo novo, desconhecido. As obras da série Lampoonist são um híbrido entre marginal e oficial, entre informal e institucional. Criam uma ponte luminosa para a escrita sombria das ruas desfilar e, sem qualquer concessão, revelam a beleza dessa estética transgressora.

Em sua busca conceitual, Orion utiliza as intrincadas formas das escritas marginais para apresentar de maneira cifrada palavras que referem-se ao mundo das artes, que definem características estéticas ou movimentos artísticos, tais como Kitsch, Naif e Rupestre. Novamente, o artista (des)organiza as regras para criar, desta vez, um jogo linguístico, no qual conceitos estéticos consagrados, escritos com o alfabeto das ruas, criam conexões improváveis mas pertinentes entre ‘o que se vê’ e ‘o que se lê’.
‘O que se vê’ são obras construídas a partir da justaposição de conceitos, de um exercício artístico refinado e surpreendente, cujo resultado estético é fascinante. ‘Ao que se lê’, cabe uma ressalva, pois os mais eruditos poderão enfrentar dificuldades em decifrar a mensagem textual das obras. Ao utilizar as diversas caligrafias urbanas, Orion restringe a compreensão imediata da escrita aos graduados pela universidade da rua. Mas propõe um desafio visual instigante para nós, leigos.

Acenda a luz e boa leitura.