Jorge Mayet | Un eterno viaje | 27 de Outubro

A mostra é composta por duas grandes instalações representativas do trabalho do
artista plástico: o Bohío e a Ceiba.
O Bohío é a típica casa do camponês cubano feita a partir dos troncos e das folhas
de palmeira real. “É uma casa que representa a arquitetura rural típica de Cuba, de
quem não tem dinheiro para construir. Do tronco da palmeira são feitas as paredes
e das folhas, o telhado”, explica Mayet. Nessa instalação, seis bohíos com asas e
raízes estarão pendurados por uma fina corda de nylon, como se estivessem
decolando uma ilha que simula a fuga da terra. “É um pouco como eu me sinto até
hoje. Para levantar voo, tive que arrancar minhas raízes, ir embora de Cuba”,
conta Mayet.
A escultura da Ceiba tem galhos e raízes com plumas. É uma árvore muito popular
em Cuba, cujo o exemplar mais famoso do país estava localizado há mais de 50
anos em uma praça chamada El Templete, onde nasceu Havana. Era um marco
na cidade. Segundo Jorge, essa Ceiba, a cada 16 de novembro, era rodeada três
vezes no sentido anti-horário. É abraçada ou tocada ao mesmo tempo que os
desejos são solicitados. É uma árvore sagrada e mística, uma árvore Deus: Iroko
de acordo com a religião Iorubá. Acredita-se que o destino, a saúde e o
desenvolvimento na vida dependerão da ceiba, porque em suas folhas vivem
entidades e espíritos. O costume de venerar esta árvore foi trazido a Cuba pelos
africanos, mas os povos originais já o tinham. Os maias plantaram uma ceiba no
centro de suas comunidades e, sob sua folhagem, celebraram os ritos sagrados.
Independentemente da religião praticada, para os cubanos simboliza vida,
perpetuidade, grandeza, bondade, beleza, força e união.
O trabalho de Mayet parece estar sempre flutuando, sem gravidade, penduradas
por um fio de nylon. São carregadas de sentimento, de saudade, e evocam Cuba
de forma etérea. “É um pouco como eu me sinto, flutuando para um lado e para o
outro. Cada dia estou em um lugar”, conta ele.
"Meu trabalho é sobre a interminável necessidade de expressar momentos que
marcaram meu passado e influenciaram meu presente. A maior parte de minhas
experiências de vida vem de Cuba. E estas são as inspirações para meu trabalho.
Minhas instalações são encarnações de minhas experiências. Elas permanecem
indefinidamente suspensas por fios invisíveis, como os que me ligam com minhas
memórias e minhas raízes”, Jorge Mayet.