Noturno Cena Urbana
óleo sobre tela sobre MDF
90 x 135 cm
2016
Rodrigo de Castro Andrade (São Paulo, São Paulo, 1962). Pintor, gravador, artista gráfico. Destaca-se por manter, ao longo de décadas, um trabalho original e eclético desde a participação no grupo Casa 7.
Inicia a formação em gravura em 1977, no ateliê de Sérgio Fingermann (1953), em São Paulo. No ano seguinte, frequenta o Studio of Graphics Arts, em Glasgow, na Escócia. Estuda desenho com Carlos Fajardo (1941) em 1981 e, entre 1981 e 1982, participa de cursos de gravura e pintura na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts de Paris. De volta ao Brasil, integra o grupo Casa 7 entre 1982 e 1985.
No início da década de 1980, como outros artistas do grupo Casa 7, realiza obras afinadas com a produção dos neoexpressionistas alemães, e também faz referência à obra do pintor estadunidense Philip Guston (1913-1980). Nessa época, pinta telas em grandes formatos, com pinceladas amplas e cores contrastantes. Como nota o crítico Roberto Pontual (1939-1994), na obra do artista as figuras, objetos e cenas, em geral de interiores, sofrem uma fragmentação que não lhes esconde a existência, apenas a suspende na condição de quebra-cabeças, que o olhar reconstitui.
Em 1984, participa do 2° Salão Paulista de Arte Contemporânea, em que ganha o prêmio revelação, e, em 1985, da 18ª Bienal Internacional de São Paulo e do 8° Salão Nacional de Artes Plásticas, no Rio de Janeiro, no qual recebe o prêmio aquisição. A partir de 1985, sua pintura revela uma gestualidade que desfaz as composições mais evidentes realizadas anteriormente. Realiza sua primeira mostra individual em 1986, no Subdistrito Comercial de Arte, em São Paulo. Desde 1987, atua como artista gráfico de revistas e livros e produz, entre 1991 e 1998, capas para a revista Veja. Recebe, em 1991, o prêmio Brasília de Artes Plásticas, do Museu de Arte de Brasília (MAB). Nesse ano, participa como professor do projeto “A produção refletida”, na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo.
A partir de 1999, a produção de Andrade passa por grandes mudanças. Expõe telas nas quais apresenta formas monocromáticas retangulares ou circulares dispostas sobre superfícies neutras. Como aponta o crítico Adriano Pedrosa (1965), suas pinturas parecem simples, porém um olhar atento percebe que há algo de incômodo nessa aparente simplicidade. A disposição das formas, demasiadamente próximas umas das outras ou das margens da tela, as intensas relações cromáticas entre as cores das figuras e o plano de fundo, além das tintas que escorrem para além da área delimitada das figuras, revelam um questionamento em relação à tradição da abstração geométrica. Suas obras fazem alusões a signos e sinais gráficos, presentes no ambiente urbano, porém esvaziados de conteúdo e mensagens.
A partir de 2001, passa a ministrar curso sobre arte contemporânea no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP).
Com atuação consistente como docente e pintor, Rodrigo Andrade experimenta estilos distintos ao longo do tempo e ocupa lugar de destaque no contexto da arte brasileira desde a década de 1980.
Fonte: Site Itaú Cultural